É com satisfação que apresentamos o número 34 da Revista Logos (http://www.e-publicacoes.uerj.br/index.php/logos/issue/current), do PPGC-UERJ, que traz um dossiê dedicado aos estudos da cibercultura no Brasil.
Considerando que a palavra cibercultura – como sinônimo de cultura digital e de dinâmicas comunicacionais e sociais contemporâneas mediadas pelas tecnologias de informação hodiernas – ganhou nos últimos anos uma dimensão cada vez mais genérica, que por vezes parece perder qualquer especificidade enquanto campo de estudos, a proposta do dossiê temático “O estatuto da cibercultura no Brasil” estimulava dois tipos de artigos, que pudessem ajudar a compreender melhor o quadro de pesquisas sobre o tema.
Por um lado, artigos que expressassem a diversidade de estudos que se inscrevem na interseção dos campos da cibercultura e da comunicação. Ou seja, este conjunto de textos ajudaria a afirmar a intensa diversidade de temas, objetos, metodologias e arcabouços teóricos que compõem o cenário de pesquisas e estudos em cibercultura no país, realidade entrevista nos últimos anos nos principais espaços de discussões em torno deste tema — como o GTComunicação e Cibercultura, da COMPÓS, o GP Cibercultura, da Intercom, ou o Simpósio Nacional da ABCiber – Associação Brasileira de Pesquisadores em Cibercultura.
O segundo modelo de artigo buscaria, dentro de uma perspectiva epistemológica e por vezes estatística, pensar o que seria e como se desenha o campo da cibercultura brasileiro, na sua diversidade e especificidade, quando sobreposto ao também vasto e diverso campo da comunicação.
Assim, os estudos que representam o primeiro grupo de artigos passam por temas tão variados quanto o uso de tecnologias e de redes sociais nos processos de produção, representação e consumo de música, narrativas cross etransmídiáticas aplicadas às séries televisivas e ao jornalismo, games e ARGs (Alternate Reality Games), mídia e educação, web 2.0 e economia e política de comunicação digital.
Dentro da segunda modalidade de artigos, que pensam o conjunto de pesquisas sobre cibercultura a partir de enquadramentos epistemológicos e estatísticos, apresentamos os artigos Cultura e Cibercultura – Princípios para uma reflexão crítica, de Francisco Rudiger, e Pesquisa em Cibercultura: Análise da produção brasileira da Intercom, de Adriana Amaral e Sandra Montardo.
Na seção “temas livres” optamos por publicar um artigo ainda sobre o tema da cibercultura, contudo, que se inscreve não no contexto brasileiro, mas, em um contexto vizinho. O artigo de Verônica Tobeña, ao analisar um fenômeno da internet dentro do contexto argentino, nos ajuda, ainda, a pensar por comparação, a especificidade das pesquisas brasileiras em cibercultura.
Saudações!
Vinícius Andrade Pereira (UERJ) (Editor)
Alex Primo (UFRGS) (Editor convidado)
